A Interface de um Web Site deve ser planejada para melhor experiência do usuário

Ao percorrer o espaço de uma página web, o movimento dos olhos dos usuários segue alguns padrões. Segundo estudos do Poynter Institute, a maioria dos usuários olha a página no sentido diagonal, a partir do alto à esquerda, em direção à parte inferior direita e depois se dirige para o alto. O estudo, que visa à verificação dos elementos editoriais que mais mobilizam o público, afirma que is olhos dos usuários detectam primeiro os textos, especialmente as manchetes do alto à esquerda. Só depois se atêm às imagens. Este movimento, no entanto, pode variar em função dos estímulos que o olho recebe pelo conteúdo. Se há um estímulo forte no meio da página, os usuários tendem a começar o exame por este elemento e só depois examinam os elementos localizados nas bordas

Jakob Nielsen, em estudo com objetivos semelhantes, afirma que os usuários de modo geral lêem as páginas de acordo com um padrão de movimentos que desenham um “F”: duas linhas horizontais da esquerda para a direita, e uma linha vertical, de cima para baixo. Os usuários raramente lêem os textos linearmente, normalmente pulam palavras e frases, capturando os elementos de forma a editar um texto fragmentado, a partir do seu interesse pessoal. Como a leitura é irregular, os dois primeiros parágrafos de cada página devem conter a informação mais importante, para que o leitor saiba de imediato se o texto o interessa ou não. Itens sinalizados com bolinhas, quadradinhos, estrelas, atraem a atenção dos olhos durante o movimento vertical, à esquerda.

Embora os dois estudos apontem para desenhos de movimentos de olhos diferentes, ambos apontam para a importância do espaço do alto, ou a área “acima da dobra”, e também para a área situada à esquerda da página. A importância do alto da página pode parecer evidente, mas não é. É comum encontramos informações importantes na base de páginas longas, sendo que a maioria dos usuários, não encontrando de imediato o que procura, vai em busca outros sites. Não só as informações sobre conteúdo, mas também os principais elementos de navegação devem ficar acima da dobra: apenas 23% dos links localizados abaixo desta linha são selecionados.

A área à esquerda da tela é o lugar onde grande parte dos sites apresenta suas barras de navegação principais, o que indica que os usuários podem procurar esta área justamente porque sabe quem aí se encontram informações importantes. Podemos também supor o contrário: porque estas áreas são mais facilmente visualizadas, elementos importantes de navegação são situados aí. Estas informações são bastante úteis para posicionar os elementos de uso e conteúdo mais importantes numa página web.

Sobre a ocupação do espaço da página principal de cada site, ressaltamos que, por ser um local de “convergência” de usuários, um ponto indicador de percursos, pode e deve, por esta razão, ter mais ferramentas de navegação do que conteúdo.

Em relação às paginas internas, seu espaço mais ocupado pelo conteúdo do que pelas ferramentas de navegação. As páginas mais internas, ou em camadas mais profundas em relação à página principal podem conter assuntos mais aprofundados ou imagens maiores, pois o usuário que as procura se dispõe a ler textos mais longos ou a esperar algum tempo a mais para as imagens carregarem no browser.

Independentemente da sua localização no site, quanto mais comandos e botões houver na página, fica mais difícil para o usuário encontrar o que procura. É possível que os usuários habituais saibam onde encontrar as informações que lhes interessa, mas os usuários novos levam algum tempo para entender a estrutura.

Também é importante considerar osentido de localização do usuário em relação a um site e à web, de forma que ele possa se orientar adequadamente para encontrar as informações que procura, ou possa realizar as tarefas a que se propõe ao selecioná-lo. O sentido de localização deve ser considerado não apenas dentro do contexto de um web site. O usuário que toma conhecimento de suas páginas fora do contexto interno precisa também ter uma idéia geral da localização página na estrutura antes de selecioná-la – especialmente se encontra outras URLs com o mesmo rótulo.

Muitos sites disponibilizam ferramentas de localização da página em relação à página principal. O título da página deve reforçar o sentido de localização, inclusive para identificar as páginas marcadas como favoritas. O sentido de localização é especialmente importante durante compras online, o usuário precisa saber em que etapa do processo se encontra. As pessoas preferem terminar a compra o mais rápido possível e o entendimento do número de etapas do processo aumenta a sensação de confiança no fornecedor.

Também deve-se considerar o sentido de localização do usuário em relação às páginas já visitadas. Em listas ou conjuntos de links, esta informação é especialmente necessária, pois muitas vezes é impossível lembrar todos os links selecionados e todas as páginas visitadas. Para tanto, é útil a implementação de recursos para marcação das páginas visitadas; alguns destes recursos são: permitir o registro do percurso já percorrido no programa de navegação; reforçar o sentido de localização pela diferenciação de cores nos links já visitados; manter habilitado o comando “Voltar” do navegador (um dos botões mais utilizados do programa); mudar a cor de uma área da página de acordo com a freqüência da visitação; e mudar o layout da página ou de um elemento de uma página, quando o status do usuário muda, seja quando ele faz login num sistema ou numa área de acesso restrito, seja quando ele finaliza uma tarefa, como uma compra.

Por último, temo o sentido de localização do usuário em relação à estrutura de informações, que leva-o a encontrar o que está procurando, seja uma notícia, um produto para compra, um texto acadêmico. Uma estrutura de informações bem definida à primeira vista, com links visíveis e identificáveis, ajuda o usuário a se deslocar sem erros ou expectativas não correspondidas, reforçando o seu sentido de localização dentro da arquitetura da informação.

Alguns aspectos devem ser considerados na sinalização da estrutura de informações: fácil compreensão dos títulos – os textos dos links devem ser sucintos e claros, ter boa legibilidade, organização compreensível e previsível; prover respostas e mensagens visuais claras e contextualizadas; economia de ações e tempo – quanto menos etapas forem necessárias para percorrer um percurso, melhor; prover atalhos para os usuários mais experientes – os usuários mais freqüentes gostam de ir direto para as seções dos sites que mais os interessam, e os atalhos simplificam os deslocamento entre as páginas; links para arquivos em PDF devem indicar o formato e o tamanho dos arquivos – se o arquivo publicado for muito extenso, o usuário deve ser informado também sobre o número de páginas, para saber se terá disponibilidade para consultá-lo; indicação para sites externos – se o próprio texto do próprio link não deixar claro que o usuário vai sair do site ao selecioná-lo, deve haver alguma indicação.

A estrutura do site, ou Arquitetura da informação, é composta do conjunto de informações articuladas através de links, em conexões semânticas. Deve permitir o deslocamento dos usuários através das informações publicadas e a criação de percepções únicas destas informações partir dos caminhos percorridos. A estrutura é estabelecida para atender às necessidades de ação e informação dos usuários, de acordo com os objetivos do site e, se esta estrutura é facilmente identificável na interface, reforça o sentido de localização do usuário e facilita o seu deslocamento entre informações. A estrutura também pode ser hierarquizada, baseada em taxonomias, ou tabulada (como os resultados de jogos de um campeonato ou um passo-a-passo de um tutorial).

A Arquitetura da informação ou de conteúdo estabelece padrões de orientação para o usuário por meio da estruturação de conjuntos de links, de modo a facilitar as suas decisões, ações e deslocamentos. Quando bem estruturada, evita erros comuns de navegação, como: navegação improdutiva – o usuário se desloca a esmo pelas páginas sem encontrar o que procura, ou tem dificuldade em decidir que página selecionar diante de uma série de opções, para traçar um percurso; dispersão em relação aos objetivos iniciais da navegação – o usuário percorre caminhos muito diferentes dos que pretendia inicialmente, se perde da rota inicial ou esquece o que estava procurando. Os usuários preferem os links no meio do texto aos conjuntos de links agrupados numa área qualquer da página; excesso de informações para o deslocamento, o que gera esquecimento do percurso para chegar a uma página; e estrutura difícil de entender – Ocorre quando o usuário não consegue ter uma visão muito clara do site e dos percursos possíveis.

As possibilidades de apresentação e organização do mesmo conteúdo são infinitas. Normalmente também podem ser inúmeros os caminhos que conduzem um usuário a uma informação. A construção de categorias, por exemplo, é um modo de organizar as informações: a decisão sobre o posicionamento de cada informação em cada categoria leva em conta as possibilidades de acesso a ela relacionadas. Num web site, a concepção de caminhos para o usuário chegar a informações específicas se baseia em modelos conceituais como: a aderência das informações e conteúdos aos objetivos do site; a aderência ao conceito editorial (que está diretamente relacionado aos objetivos) – planejamento da experiência do usuário e do modo como as informações estabelecem processos de comunicação/ interlocução/reação; e a antecipação dos modelos mentais do usuário, padrões de conduta em relação às informações, dispositivos, recursos tecnológicos e circunstâncias de acesso (na rua, no escritório, em casa, em viagem).

A organização do conteúdo de uma página deve prever aspectos como: condições para o usuário criar seus próprios percursos, levando em conta os diferentes modos como o usuário chega às informações; relação entre a extensão e a profundidade das áreas de informação; modo como as informações fluem de dentro de uma organização para o público externo; e modo como as informações fluem dentro de uma organização (especialmente em intranets).

A estrutura das informações cada vez mais deve levar em conta usuários com perfis pessoais e modos de acesso que não são majoritários nas estatísticas, ou seja, aqueles que procuram informações especializadas, que provavelmente também são produzidas por especialistas. Levando em consideração a produção e a procura de informações baseadas em interesses cada vez mais personalizados, os sistemas de informação incorporam esta modelagem dos dados ao estabelecimento de metodologias de avaliação de acessos.

Em relação aos links, estes permitem que o usuário se desloque de uma página para outra, localizada em diferente URL (no mesmo site ou em outro site), através de uma estrutura hipertextual de informações. Quanto mais as expectativas do usuário forem satisfeitas ao selecionar um link, maior o seu controle sobre o percurso e a sua confiança para se deslocar na estrutura de informações de um site, portal ou conjunto de sites. Os links devem ser sinalizados claramente e ficar aparentes na página: textos sublinhados são sempre associados a links – não se deve sublinhar textos para destacá-los, apenas como estilo de tipologia, para não confundir o leitor. Cores ligeiramente diferentes nos links visitados ajudam o usuário a identificar o percurso percorrido numa lista de links. Este recurso é especialmente útil quando os links estão localizados no resultado de uma busca, por exemplo. Os links de email que abrem uma nova mensagem no programa de e-mail com o endereço do destinatário devem ser sinalizados. Se o usuário está usando um equipamento que não é o seu, pode gerar uma mensagem com o endereço e o remetente errado.

Links que apontam para locais dentro da mesma página (âncoras) também devem ser sinalizados. O usuário pode ter o seu sentido de localização confundido, sem saber se está ou não na mesma página do link. O formato e tamanho do arquivo nos links para arquivos de vídeo e som, ou arquivos para download, também devem ser sinalizados. Links em forma de banners são confundidos com anúncios, que muitas vezes conduzem para sites externos aos da página onde estão publicados. A identificação dos links internos deve ficar clara, para evitar que o usuário não se sinta enganado.

Em relação aos menus, os mais extensos, usualmente chamados drop down menus, podem esconder informações importantes que facilitariam a escolha do usuário se estivem visíveis no corpo da página.